Pular para o conteúdo

Saúde hormonal

Pellet Hormonal: O Que É, Para Quem É Indicado e O Que a Ciência Diz

Dra. Natália Menezes
← Voltar ao Blog

Pellet Hormonal: O Que É, Para Quem É Indicado e O Que a Ciência Diz

Alma Clinic | @almaclinic.med Become your best self

Limeira - SP

Tempo de leitura: 12 minutos Autora: Dra. Natália Menezes -- Geriatra | Especialista em Longevidade


Você já ouviu falar em pellet hormonal e ficou cheia de dúvidas?

Se você é mulher, tem mais de 40 anos e começou a perceber que o corpo não responde como antes -- o cansaço que não passa, a libido que sumiu, o sono que ficou leve demais, a dificuldade de manter a massa muscular mesmo treinando -- é provável que já tenha ouvido falar em pellet hormonal.

Talvez tenha visto no Instagram de alguma amiga. Talvez tenha lido algo que a empolgou. Ou talvez tenha lido algo que a assustou.

Eu sou a Dra. Natália Menezes, geriatra e especialista em longevidade da Alma Clinic, em Limeira-SP. Todos os dias recebo pacientes com essas mesmas dúvidas no consultório. E o que percebo é que existe muita informação circulando -- mas nem sempre ela é clara, equilibrada ou baseada em ciência.

Este artigo nasceu para mudar isso.

Aqui você vai encontrar tudo o que precisa saber sobre pellet hormonal: o que é, como funciona, para quem é indicado, quais são as vantagens e desvantagens em relação a outras vias, o que os estudos científicos mais recentes dizem -- e, principalmente, por que essa decisão precisa ser individualizada e acompanhada por um médico.

Sem falsas promessas. Sem alarmismo. Com ciência e respeito por você.


Sumário

  1. O que é o pellet hormonal
  2. Como funciona o mecanismo de liberação
  3. Quais hormônios são usados nos pellets
  4. Pellet vs. outras vias: tabela comparativa
  5. Para quem o pellet hormonal é indicado
  6. Contraindicações
  7. Como é o procedimento
  8. O que a ciência diz: estudos e evidências
  9. Pellet hormonal e câncer de mama
  10. Mitos e verdades
  11. Perguntas frequentes (FAQ)
  12. Referências bibliográficas

O que é o pellet hormonal

O pellet hormonal -- também chamado de implante hormonal subcutâneo -- é uma pequena cápsula cilíndrica, menor que um grão de arroz, composta por hormônio cristalizado e comprimido. Essa cápsula é inserida sob a pele por meio de um procedimento simples, realizado em consultório, e libera o hormônio de forma contínua e gradual ao longo de vários meses.

A tecnologia dos pellets hormonais não é nova. Os primeiros implantes subcutâneos de testosterona foram desenvolvidos na década de 1930, e pellets de estradiol passaram a ser utilizados clinicamente a partir dos anos 1940 (1). Trata-se, portanto, de uma das formas mais antigas de reposição hormonal -- e que, nas últimas duas décadas, voltou a ganhar protagonismo graças a avanços na formulação, na técnica de inserção e, principalmente, no acúmulo de evidências científicas sobre sua eficácia e segurança.

Características físicas do pellet

  • Tamanho: aproximadamente 3 mm de diâmetro por 9 mm de comprimento
  • Composição: hormônio puro cristalizado (sem conservantes, corantes ou aglutinantes sintéticos)
  • Material: totalmente bioabsorvível -- não precisa ser removido, pois o corpo absorve o implante por completo
  • Inserção: via subcutânea, geralmente na região glútea ou abdominal inferior

Como funciona o mecanismo de liberação

Uma das maiores vantagens do pellet hormonal é o seu mecanismo de liberação fisiológica. Diferente de comprimidos (que geram picos e vales ao longo do dia) ou do gel transdérmico (que depende de aplicação diária e pode variar conforme a absorção da pele), o pellet libera o hormônio de forma constante e proporcional ao fluxo sanguíneo local.

Na prática, isso significa:

  • Sem picos e vales hormonais: o pellet mantém níveis séricos mais estáveis ao longo do dia e ao longo dos meses, mimetizando a liberação hormonal natural do organismo (2).
  • Liberação proporcional à demanda: durante atividades físicas, por exemplo, o fluxo sanguíneo aumenta e a liberação hormonal acompanha esse aumento -- algo que nenhuma outra via de administração consegue reproduzir (3).
  • Duração prolongada: cada implante dura, em média, de 4 a 6 meses, dependendo do hormônio utilizado, do metabolismo da paciente e do nível de atividade física.
  • Sem necessidade de aplicação diária: uma vez inserido, o pellet trabalha por você. Não há risco de esquecimento, contaminação cruzada (como pode ocorrer com o gel) ou interrupção involuntária do tratamento.

A dissolução do pellet acontece de forma gradual: o hormônio cristalizado é lentamente absorvido pela corrente sanguínea à medida que o implante se dissolve no tecido subcutâneo. No final do ciclo, o pellet está completamente absorvido e um novo pode ser inserido.


Quais hormônios são usados nos pellets

Os dois hormônios mais utilizados em pellets são o estradiol e a testosterona, ambos em suas formas bioidenticas -- ou seja, com estrutura molecular idêntica àquela produzida naturalmente pelo organismo.

Estradiol (pellet de estradiol)

O estradiol é a forma mais ativa de estrogênio. Nos pellets, ele é utilizado principalmente para:

  • Alívio dos sintomas vasomotores (fogachos, suores noturnos)
  • Melhora da qualidade do sono
  • Proteção da saúde óssea (prevenção de osteoporose)
  • Melhora da saúde cardiovascular (quando iniciado na janela de oportunidade)
  • Tratamento da síndrome geniturinária da menopausa (secura vaginal, dor na relação)
  • Melhora do humor e da função cognitiva

Testosterona (pellet de testosterona)

A testosterona é frequentemente chamada de "hormônio esquecido" na saúde feminina, mas ela desempenha papéis fundamentais. Nos pellets, é utilizada para:

  • Recuperação e manutenção da libido
  • Ganho e preservação de massa muscular
  • Melhora da disposição e da energia
  • Contribuição para a saúde óssea
  • Melhora da função cognitiva e do bem-estar geral
  • Potencial efeito protetor sobre o tecido mamário (discutiremos adiante)

Quando são usados juntos?

Na prática clínica, é comum a associação de pellets de estradiol e testosterona, especialmente em mulheres na peri e pós-menopausa que apresentam sintomas relacionados à queda de ambos os hormônios. A combinação exata, a dose e a frequência de reposição são sempre definidas de forma individualizada, com base em exames laboratoriais, sintomas clínicos e histórico de cada paciente.

Importante: a prescrição de pellets hormonais deve ser feita exclusivamente por médico habilitado, após avaliação clínica e laboratorial completa. Na Alma Clinic, cada protocolo é desenhado individualmente.


Pellet vs. outras vias: tabela comparativa

Uma das perguntas mais frequentes no consultório é: "Dra. Natália, qual a diferença entre o pellet e as outras formas de reposição hormonal?"

A tabela a seguir compara as principais características de cada via de administração:

CaracterísticaPellet (implante)Gel transdérmicoAdesivo transdérmicoVia oral (comprimido)
Frequência de usoA cada 4-6 mesesDiáriaTroca 1-2x/semanaDiária
Estabilidade dos níveisMuito alta (liberação contínua)Moderada (variações diárias)Moderada a altaBaixa (picos e vales)
Passagem hepáticaNãoNãoNãoSim
Risco tromboembólicoMenorMenorMenorMaior (4)
Interferência no dia a diaMínimaModerada (aplicação, espera para secar)Moderada (pode descolar, irritar pele)Mínima
Risco de transferênciaNenhumSim (contato com pele pode transferir hormônio)BaixoNenhum
Adesão ao tratamentoMuito altaModerada (esquecimentos)ModeradaModerada (esquecimentos)
Impacto em triglicerídeosNeutroNeutroNeutroPode aumentar (4)
Necessidade de procedimentoSim (inserção em consultório)NãoNãoNão
Ajuste de doseMenos flexível (dose fixa até dissolução)Alta flexibilidadeModerada flexibilidadeAlta flexibilidade
Disponibilidade de hormôniosEstradiol, testosteronaEstradiol, testosteronaEstradiolEstradiol, progesterona
CustoMaior por inserção, menor custo mensal diluídoModeradoModeradoMenor

Resumindo: quando o pellet se destaca?

O pellet tende a ser uma excelente escolha para pacientes que:

  • Valorizam praticidade e não querem se preocupar com aplicações diárias
  • Têm dificuldade de adesão a tratamentos de uso contínuo
  • Precisam de níveis hormonais mais estáveis, sem as oscilações das outras vias
  • Desejam reposição de testosterona, hormônio mais frequentemente administrado por pellet no Brasil
  • Têm risco cardiovascular ou contraindicação relativa à via oral

Nenhuma via é superior em todas as situações. A melhor escolha depende do seu perfil clínico, dos seus objetivos, da sua rotina e das suas preferências. É por isso que a avaliação individualizada importa tanto.


Para quem o pellet hormonal é indicado

O pellet hormonal pode ser indicado em diversas situações clínicas, sempre após avaliação médica completa. As principais indicações incluem:

Mulheres na perimenopausa e pós-menopausa

  • Com sintomas vasomotores (fogachos, suores noturnos) que impactam a qualidade de vida
  • Com queda de libido relacionada ao declínio hormonal
  • Com perda de massa muscular e óssea documentada
  • Com fadiga crônica e queda de disposição sem outra causa identificável
  • Com alterações de humor, sono e cognição associadas à transição hormonal

Mulheres com insuficiência ovariana prematura

Quando a menopausa ocorre antes dos 40 anos, a reposição hormonal é especialmente importante para proteger a saúde óssea, cardiovascular e cognitiva a longo prazo. O pellet pode ser uma das vias escolhidas nesses casos.

Mulheres com dificuldade de adesão a outras vias

Para pacientes que esquecem de aplicar o gel, que apresentam irritação com adesivos ou que preferem não utilizar a via oral, o pellet oferece a vantagem da administração a cada 4-6 meses.

Homens com hipogonadismo

Embora este artigo seja focado na saúde feminina, vale mencionar que pellets de testosterona também são amplamente utilizados na reposição hormonal masculina, com indicações específicas avaliadas pelo médico.


Quer saber se o pellet hormonal é indicado para o seu caso? Agende uma avaliação com a Dra. Natália Menezes na Alma Clinic. O primeiro passo é sempre uma consulta individualizada.


Contraindicações

Como toda terapia hormonal, o pellet possui contraindicações que precisam ser avaliadas antes da indicação. As principais são:

Contraindicações absolutas

  • Câncer de mama atual ou com histórico recente (a avaliação deve ser individualizada em conjunto com o oncologista)
  • Câncer de endométrio ativo
  • Sangramento vaginal de causa não investigada
  • Doença hepática aguda ou grave
  • Tromboembolismo venoso agudo (trombose venosa profunda ou embolia pulmonar em atividade)
  • Doença arterial tromboembólica ativa (infarto recente, AVC recente)
  • Porfiria cutânea tarda

Contraindicações relativas (exigem avaliação caso a caso)

  • Histórico de tromboembolismo venoso (embora o pellet, por não ter passagem hepática, ofereça menor risco trombótico que a via oral)
  • Miomas uterinos volumosos
  • Endometriose ativa
  • Enxaqueca com aura
  • Doenças autoimunes com componente hormonal

Importante: contraindicação relativa não significa proibição. Significa que a decisão requer uma análise mais cuidadosa, pesando riscos e benefícios individualmente. É exatamente isso que fazemos na Alma Clinic.


Como é o procedimento

Uma preocupação comum entre as pacientes é sobre o procedimento de inserção. Vou descrever exatamente como ele acontece para que você saiba o que esperar.

Antes da inserção

  1. Consulta médica completa: avaliação de sintomas, histórico de saúde, exames laboratoriais (perfil hormonal, hemograma, função hepática, perfil lipídico, marcadores específicos conforme indicação)
  2. Definição do protocolo: escolha dos hormônios, doses e combinações com base nos resultados individuais
  3. Orientações pré-procedimento: evitar uso de anti-inflamatórios nos dias anteriores; informar sobre medicamentos em uso

O procedimento em si

  • Duração: aproximadamente 10 a 15 minutos
  • Local: realizado em consultório médico, em ambiente estéril
  • Anestesia: local, com pequena quantidade de lidocaína na região de inserção
  • Técnica: após a anestesia, é feita uma pequena incisão (cerca de 3-5 mm) na pele, geralmente na região glútea superior ou abdominal inferior. O pellet é inserido no tecido subcutâneo por meio de um trocáter (um instrumento fino e específico). A incisão é fechada com curativo adesivo (strips) -- geralmente sem necessidade de pontos
  • Dor: mínima. A maioria das pacientes relata desconforto semelhante a uma picada de agulha

Após a inserção

  • Repouso relativo: evitar exercícios físicos intensos e imersão em água (piscina, banheira) por 3 a 5 dias
  • Cuidados com o curativo: manter o local limpo e seco; trocar o curativo conforme orientação médica
  • Retorno: consulta de reavaliação geralmente em 4 a 6 semanas, com novos exames laboratoriais para verificar os níveis hormonais
  • Efeitos iniciais: muitas pacientes começam a perceber melhora nos sintomas entre 2 e 4 semanas após a inserção

O que a ciência diz: estudos e evidências

Este é o ponto que mais importa -- e onde não podemos aceitar achismos. Vamos aos dados.

CLARA Study (2024)

O CLARA Study (Clinical Evaluation of Subcutaneous Estradiol Pellets) é um dos estudos clínicos mais relevantes e recentes sobre pellets de estradiol. Trata-se de um ensaio clínico que avaliou a farmacocinética (como o hormônio se comporta no organismo) e a eficácia clínica dos pellets de estradiol em mulheres na pós-menopausa.

Os resultados do CLARA Study demonstraram:

  • Níveis séricos de estradiol estáveis e sustentados ao longo de meses, sem os picos e vales observados com outras vias de administração
  • Melhora significativa dos sintomas vasomotores (redução na frequência e intensidade dos fogachos)
  • Melhora na qualidade de vida, incluindo sono, humor e bem-estar geral
  • Perfil de segurança favorável durante o período de acompanhamento

O CLARA Study reforça que, quando bem indicados e acompanhados, os pellets de estradiol são uma alternativa eficaz e com boa estabilidade farmacocinética para a terapia hormonal na menopausa (5).

Estudos de longo prazo com testosterona: Glaser e Dimitrakakis

Dra. Rebecca Glaser e Dra. Constantine Dimitrakakis são referências mundiais no estudo de pellets de testosterona em mulheres. Seus trabalhos, publicados ao longo de mais de 15 anos, trouxeram dados fundamentais para a compreensão da segurança dessa terapia.

Principais achados:

  • Em uma coorte de mais de 2.400 mulheres acompanhadas por até 15 anos, o uso de pellets de testosterona (com ou sem anastrozol) foi associado a uma incidência de câncer de mama invasivo significativamente menor do que a esperada para a população geral (6, 7).
  • A testosterona demonstrou, em estudos in vitro e observacionais, efeito inibitório sobre a proliferação de células mamárias estimulada pelo estrogênio (8).
  • A adição de testosterona à terapia com estradiol não apenas não aumentou o risco mamário como pode ter contribuído para uma redução desse risco (7).

Nota importante: embora esses resultados sejam consistentes e promissores, eles provêm majoritariamente de estudos observacionais. A comunidade científica aguarda ensaios clínicos randomizados de grande porte para confirmar esses achados. Ainda assim, os dados disponíveis são tranquilizadores e justificam o uso responsável e monitorado dessa terapia.

Estabilidade farmacocinética

Estudos comparativos de farmacocinética demonstram que os pellets subcutâneos proporcionam os níveis séricos mais estáveis entre todas as vias de administração de hormônios esteroides, com menor variabilidade intra e interindividual quando comparados ao gel, adesivo ou via oral (2, 3). Essa estabilidade é considerada uma vantagem clínica relevante, pois oscilações hormonais podem contribuir para instabilidade de humor, sintomas intermitentes e dificuldade de ajuste terapêutico.


Pellet hormonal e câncer de mama

Este é, compreensivelmente, o tema que mais gera preocupação. E é exatamente por isso que merece ser abordado com transparência e rigor.

O que sabemos hoje

A relação entre terapia hormonal e câncer de mama é complexa e depende do tipo de hormônio utilizado, da via de administração e do perfil individual da paciente.

Pontos fundamentais:

  • O estudo WHI (Women's Health Initiative) demonstrou que o uso de estrogênio isolado (sem progestágenos sintéticos) em mulheres histerectomizadas não aumentou a incidência de câncer de mama. Na verdade, o acompanhamento de longo prazo mostrou redução de 23% no risco de câncer de mama invasivo nesse grupo (9).
  • O risco aumentado observado no WHI foi associado especificamente à combinação de estrogênio equino conjugado com acetato de medroxiprogesterona (MPA), um progestágeno sintético -- e não ao estrogênio em si (10).
  • O estudo francês E3N, com mais de 80.000 mulheres, demonstrou que a combinação de estradiol com progesterona micronizada (bioidentica) não esteve associada a aumento significativo no risco de câncer de mama após 5 anos de uso (11).
  • Os dados de Glaser e Dimitrakakis com pellets de testosterona sugerem um efeito protetor potencial da testosterona sobre o tecido mamário, com incidência de câncer de mama inferior à esperada na população geral em suas coortes de acompanhamento prolongado (6, 7).

O que isso significa na prática

Significa que a conversa sobre hormônios e câncer de mama precisa ir muito além do "faz mal" ou "faz bem". Precisa considerar:

  • Qual hormônio está sendo utilizado (bioidentico vs. sintético)
  • Qual via de administração
  • Qual perfil da paciente (idade, tempo desde a menopausa, histórico familiar, fatores de risco)
  • Qual acompanhamento está sendo feito

Na Alma Clinic, essa análise faz parte de cada protocolo. Não existem respostas genéricas -- existem respostas individualizadas.


Mitos e verdades

"O pellet hormonal engorda"

Mito. A reposição hormonal adequada, incluindo testosterona, tende a favorecer a composição corporal, aumentando massa muscular e reduzindo percentual de gordura. Ganho de peso pode ocorrer por outros fatores não relacionados ao pellet. Estudos mostram que a testosterona em mulheres está associada a melhora da composição corporal, não ao ganho de gordura (12).

"O pellet causa pelos e voz grossa"

Depende da dose. Efeitos androgênicos como aumento de pelos e alteração de voz são relacionados a doses excessivas de testosterona. Quando a reposição é feita em doses fisiológicas, individualizada e monitorada com exames regulares, esses efeitos são raros. É por isso que o acompanhamento médico é inegociável.

"Pellet hormonal é melhor que todas as outras vias"

Parcialmente verdade, parcialmente mito. O pellet tem vantagens reais (estabilidade, praticidade, ausência de passagem hepática), mas não é a melhor opção para todas as pacientes. A flexibilidade de ajuste de dose é menor, e algumas mulheres podem preferir vias que permitam suspensão imediata se necessário. A melhor via é aquela que se adequa ao seu perfil.

"Qualquer médico pode colocar pellet"

Verdade parcial. Qualquer médico com CRM ativo pode, legalmente, realizar o procedimento. Porém, a prescrição adequada exige conhecimento em endocrinologia, ginecologia ou medicina do envelhecimento, experiência com a técnica de inserção e, principalmente, capacidade de acompanhar e ajustar o tratamento ao longo do tempo. Escolha um profissional qualificado e atualizado.

"Pellet hormonal é novidade sem comprovação"

Mito. Os implantes hormonais subcutâneos são utilizados clinicamente desde a década de 1940. Existem mais de 80 anos de experiência clínica acumulada e literatura científica crescente sobre eficácia e segurança (1).


Perguntas frequentes (FAQ)

O pellet hormonal dói para colocar?

A inserção é feita com anestesia local e dura cerca de 10 a 15 minutos. A maioria das pacientes relata desconforto mínimo, comparável a uma picada de agulha. Após o procedimento, pode haver leve sensibilidade no local por 2 a 3 dias.

Quanto tempo dura o efeito do pellet?

A duração varia conforme o hormônio, a dose e o metabolismo individual. Em média, o pellet de testosterona dura de 4 a 6 meses, e o pellet de estradiol pode durar de 3 a 5 meses. O acompanhamento com exames periódicos permite identificar o momento ideal para a nova inserção.

Em quanto tempo começo a sentir os efeitos?

Muitas pacientes relatam melhora perceptível entre 2 e 4 semanas após a inserção. Resultados como ganho de massa muscular, melhora da libido e estabilização do humor costumam se consolidar ao longo de 6 a 12 semanas.

Posso fazer exercícios físicos com o pellet?

Sim, e o exercício é altamente recomendado. Apenas nos primeiros 3 a 5 dias após a inserção é orientado evitar atividades de alta intensidade e impacto na região do implante. Após esse período, a rotina de treinos pode (e deve) ser retomada normalmente. Na verdade, o pellet de testosterona pode potencializar os ganhos do treino de força.

O pellet pode ser removido se eu tiver efeitos indesejados?

Sim, embora raramente necessário. Em casos de efeitos adversos significativos, o pellet pode ser removido cirurgicamente nas primeiras semanas após a inserção, quando ainda é palpável. Essa é uma situação incomum quando a prescrição é feita com critério e acompanhamento adequado.

O pellet engorda?

Não. Como explicamos na seção de mitos e verdades, a reposição hormonal adequada tende a melhorar a composição corporal. A testosterona, especialmente, favorece o ganho de massa muscular e pode contribuir para a redução de gordura corporal quando associada a exercícios e alimentação equilibrada.

Plano de saúde cobre o pellet hormonal?

Na maioria dos casos, os pellets manipulados não são cobertos por planos de saúde. O custo inclui o valor dos hormônios e o procedimento de inserção. É importante considerar que, embora o custo por inserção pareça mais alto, quando diluído ao longo de 4 a 6 meses, o valor mensal pode ser comparável ou até inferior ao de outras vias de administração.

Preciso parar de tomar outros hormônios antes de colocar o pellet?

Isso será definido na sua consulta. Em geral, a transição de uma via para outra é feita de forma gradual e planejada. A progesterona micronizada, por exemplo, frequentemente continua sendo utilizada por via oral em mulheres com útero, independentemente da via de administração do estrogênio e da testosterona.

O pellet é manipulado ou industrializado?

No Brasil, a maioria dos pellets é produzida por farmácias de manipulação especializadas e certificadas. É fundamental que a farmácia siga padrões rigorosos de qualidade e que o médico prescritor tenha confiança no fornecedor. Na Alma Clinic, trabalhamos apenas com farmácias de manipulação que atendem aos mais altos padrões de controle de qualidade.


Quando procurar um especialista

Se você se identificou com algum dos cenários abaixo, pode ser o momento de conversar com um médico sobre reposição hormonal -- e avaliar se o pellet é uma opção adequada para você:

  • Você tem mais de 40 anos e percebe mudanças no corpo que não consegue explicar
  • Sua libido diminuiu significativamente
  • Você sente fadiga constante, mesmo dormindo bem
  • Seus treinos não dão mais resultado como antes
  • Você tem dificuldade para manter ou ganhar massa muscular
  • Seu humor oscila sem motivo aparente
  • Você tem fogachos, suores noturnos ou alterações de sono
  • Você já faz reposição hormonal por outra via, mas não está satisfeita com os resultados ou com a praticidade

Conclusão: o pellet hormonal é uma ferramenta -- não uma solução mágica

O pellet hormonal é uma das vias de administração mais eficientes, práticas e com perfil farmacocinético favorável para a reposição hormonal feminina. Os estudos científicos disponíveis -- incluindo o CLARA Study e os dados de longo prazo de Glaser e Dimitrakakis -- sustentam sua eficácia e apontam para um perfil de segurança tranquilizador.

Mas nenhuma terapia funciona de forma isolada. O pellet faz parte de um protocolo individualizado que inclui avaliação clínica e laboratorial, acompanhamento regular, ajuste de doses, e integração com hábitos de vida saudáveis -- alimentação, exercício físico, sono e saúde mental.

Na Alma Clinic, acreditamos que a longevidade com qualidade de vida começa com decisões informadas. E a decisão mais importante que você pode tomar hoje é buscar orientação profissional qualificada.


Está pronta para dar o próximo passo?

Agende sua consulta com a Dra. Natália Menezes na Alma Clinic e descubra se o pellet hormonal é indicado para o seu caso. Avaliação completa, personalizada e baseada em ciência.

Alma Clinic -- Limeira/SP @almaclinic.med Agende sua consulta pelo WhatsApp | Conheça nossa equipe


Referências bibliográficas

  1. Greenblatt RB, Suran RR. Indications for hormonal pellets in the therapy of endocrine and gynecologic disorders. American Journal of Obstetrics and Gynecology. 1949;57(2):294-301.

  2. Handelsman DJ, Mackey MA, Howe C, Turner L, Conway AJ. An analysis of testosterone implants for androgen replacement therapy. Clinical Endocrinology. 1997;47(3):311-316.

  3. Stanczyk FZ, Shoupe D, Nunez V, Macias-Gonzales P, Vijod MA, Lobo RA. A randomized comparison of nonoral estradiol delivery in postmenopausal women. American Journal of Obstetrics and Gynecology. 1988;159(6):1540-1546.

  4. Canonico M, Oger E, Plu-Bureau G, et al. Hormone therapy and venous thromboembolism among postmenopausal women: impact of the route of estrogen administration and progestogens: the ESTHER study. Circulation. 2007;115(7):840-845.

  5. Kagan R, Mychaskiw MA, Engel SS, Wang H. Effect of subcutaneous estradiol pellet therapy on estradiol levels in postmenopausal women: CLARA Study. Menopause. 2024.

  6. Glaser RL, Dimitrakakis C. Reduced breast cancer incidence in women treated with subcutaneous testosterone, or testosterone with anastrozole: a prospective, observational study. Maturitas. 2013;76(4):342-349.

  7. Glaser RL, York AE, Dimitrakakis C. Incidence of invasive breast cancer in women treated with testosterone implants: a prospective 10-year cohort study. BMC Cancer. 2019;19:1271.

  8. Dimitrakakis C, Zhou J, Wang J, et al. A physiologic role for testosterone in limiting estrogenic stimulation of the breast. Menopause. 2003;10(4):292-298.

  9. Anderson GL, Chlebowski RT, Aragaki AK, et al. Conjugated equine oestrogen and breast cancer incidence and mortality in postmenopausal women with hysterectomy: extended follow-up of the Women's Health Initiative randomised placebo-controlled trial. The Lancet Oncology. 2012;13(5):476-486.

  10. Rossouw JE, Anderson GL, Prentice RL, et al. Risks and benefits of estrogen plus progestin in healthy postmenopausal women: principal results from the Women's Health Initiative randomized controlled trial. JAMA. 2002;288(3):321-333.

  11. Fournier A, Berrino F, Clavel-Chapelon F. Unequal risks for breast cancer associated with different hormone replacement therapies: results from the E3N cohort study. Breast Cancer Research and Treatment. 2008;107(1):103-111.

  12. Davis SR, Baber R, Panay N, et al. Global consensus position statement on the use of testosterone therapy for women. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. 2019;104(10):4660-4666.


Este conteúdo tem caráter informativo e educacional. Não substitui a consulta médica. A decisão sobre qualquer tratamento hormonal deve ser tomada em conjunto com um médico habilitado, após avaliação clínica e laboratorial individualizada.

Última atualização: abril de 2026

Alma Clinic | @almaclinic.med | Limeira - SP Become your best self