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Nutrição

Lipedema: Sintomas, Diagnóstico e Tratamentos Atuais

Dr. Frederico Menezes
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Lipedema: Sintomas, Diagnóstico e Tratamentos Atuais

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Limeira - SP


Por Dr. Frederico Menezes — Cardiologista | Especialista em Emagrecimento Atualizado em: abril de 2026


Você faz tudo certo, mas suas pernas não mudam?

Eu preciso começar este texto reconhecendo uma dor que muitas mulheres carregam em silêncio — às vezes por anos, às vezes por décadas.

Você faz dieta. Controla calorias. Treina. Caminha. Às vezes até emagrece no rosto, nos braços, na barriga. Mas as pernas continuam do mesmo jeito. Grossas, pesadas, doloridas. Você aperta e dói. Bate de leve e aparecem hematomas. Usa meia de compressão e mesmo assim, no final do dia, sente que as pernas estão "estourando".

E então vem o pior: alguém — talvez até um profissional de saúde — olha para você e diz que "é só emagrecer mais" ou "falta disciplina". Essa frase machuca porque você sabe o esforço que faz. E mesmo assim, nada muda.

Se você se identificou, este texto é para você.

Existe uma condição médica real, reconhecida cientificamente, que explica exatamente esse cenário. Ela se chama lipedema — e estima-se que afete até 11% das mulheres no mundo, embora a maioria nunca receba o diagnóstico correto (1, 2).

Na Alma Clinic, nós levamos essa condição a sério. E neste guia, vamos explicar com clareza e com ciência o que é o lipedema, como ele se diferencia de outras condições, quais os estágios da doença e, principalmente, o que pode ser feito para tratar.


O que é lipedema? {#o-que-e-lipedema}

O lipedema é uma doença crônica e progressiva do tecido adiposo, caracterizada pelo acúmulo simétrico e desproporcional de gordura — principalmente nos membros inferiores (quadris, coxas e pernas), podendo também afetar os braços. Os pés e as mãos, de forma característica, são poupados (1, 3).

Diferentemente da obesidade comum, a gordura do lipedema:

  • Não responde a dieta e exercício da maneira esperada
  • É dolorosa à palpação e ao toque
  • É simétrica — acomete os dois lados do corpo igualmente
  • Provoca hematomas com facilidade (fragilidade capilar)
  • Piora com flutuações hormonais — puberdade, gestação, menopausa

A doença foi descrita pela primeira vez em 1940 por Allen e Hines na Mayo Clinic, mas até hoje permanece subdiagnosticada e frequentemente confundida com obesidade simples ou linfedema (4).

Prevalência: mais comum do que se imagina

As estimativas de prevalência variam na literatura. Estudos populacionais sugerem que o lipedema acomete entre 5% e 11% da população feminina adulta (1, 2). No entanto, muitas mulheres passam 10 a 15 anos entre o início dos sintomas e o diagnóstico correto — consultando múltiplos profissionais sem receber a resposta adequada (5).

Dado importante: Um estudo publicado no British Journal of Dermatology mostrou que o tempo médio até o diagnóstico correto de lipedema pode ultrapassar 10 anos (5). Isso significa que muitas mulheres sofrem desnecessariamente por falta de reconhecimento médico.


Fisiopatologia: o que acontece no tecido adiposo? {#fisiopatologia}

O lipedema não é simplesmente "ter gordura a mais". Existe uma alteração estrutural e funcional do tecido adiposo que diferencia essa doença da obesidade convencional.

Hipertrofia e hiperplasia dos adipócitos

No lipedema, os adipócitos (células de gordura) sofrem dois processos simultâneos (3, 6):

  • Hipertrofia: as células de gordura aumentam de tamanho, muito além do normal
  • Hiperplasia: há multiplicação do número de células adiposas

Esse crescimento desregulado do tecido adiposo ocorre de forma independente do balanço calórico — ou seja, mesmo em restrição alimentar significativa, o tecido gorduroso das áreas afetadas não regride proporcionalmente.

Componente inflamatório crônico

O tecido adiposo do lipedema apresenta um estado de inflamação crônica de baixo grau. Estudos histológicos mostram infiltração de macrófagos, aumento de citocinas pró-inflamatórias (como TNF-alfa e IL-6) e fibrose progressiva do tecido subcutâneo (6, 7). Essa inflamação crônica contribui para:

  • A dor característica (hiperalgesia do tecido)
  • A fragilidade capilar (facilidade de formar hematomas)
  • A progressão da doença ao longo do tempo
  • O edema ortostático associado

Alterações vasculares e linfáticas

Há comprometimento da microcirculação nas áreas afetadas. A fragilidade capilar aumentada explica os hematomas espontâneos ou desproporcionais ao trauma. Em estágios avançados, o sistema linfático secundariamente pode ser sobrecarregado, levando ao chamado lipolinfedema — quando lipedema e linfedema coexistem (3, 8).

Sensibilidade hormonal: por que afeta quase exclusivamente mulheres?

O lipedema é uma condição quase exclusivamente feminina. Os momentos de início ou piora da doença coincidem com períodos de grandes flutuações hormonais (1, 5):

  • Puberdade — o momento mais comum de início
  • Gestação — piora frequente
  • Uso de anticoncepcionais hormonais
  • Menopausa — exacerbação dos sintomas

Os receptores de estrogênio no tecido adiposo parecem desempenhar um papel central na fisiopatologia. O estrogênio influencia a proliferação de adipócitos, a distribuição de gordura e a permeabilidade vascular — todos fatores envolvidos no lipedema (6, 9). Casos raríssimos em homens foram descritos em contextos de hipogonadismo ou cirrose hepática (condições com hiperestrogenismo).


Estágios do lipedema {#estagios}

O lipedema é classificado em estágios de acordo com a progressão das alterações no tecido. A classificação mais utilizada segue as diretrizes da Sociedade Alemã de Flebologia (10, 11):

Estágio I — Início

  • Superfície da pele lisa e de aparência normal
  • Subcutâneo espessado com nódulos finos palpáveis ("bolinhas" no tecido)
  • Dor à palpação já presente
  • Tendência a hematomas

Estágio II — Progressão

  • Superfície da pele irregular, com ondulações maiores
  • Nódulos subcutâneos maiores, do tamanho de nozes (nódulos lipomatosos)
  • Tecido adiposo mais endurecido e fibrótico
  • Dor mais intensa e constante

Estágio III — Avançado

  • Tecido adiposo com grande volume e endurecimento
  • Deformidades significativas no contorno dos membros
  • Formação de dobras e lobos de gordura (especialmente nas coxas e joelhos)
  • Comprometimento funcional e da mobilidade

Estágio IV — Lipolinfedema

  • Lipedema associado a linfedema secundário
  • Edema que agora acomete também os pés (diferentemente dos estágios anteriores)
  • Fibrose linfática significativa
  • Maior risco de complicações infecciosas (erisipela, celulite)

Atenção: A progressão entre estágios não é inevitável. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível controlar a doença e desacelerar — ou até impedir — sua evolução.


Diagnóstico diferencial: lipedema vs. linfedema vs. obesidade {#diagnostico-diferencial}

Uma das maiores barreiras ao tratamento do lipedema é a confusão diagnóstica com outras condições. A tabela abaixo resume as principais diferenças:

Tabela comparativa: Lipedema vs. Linfedema vs. Obesidade

CaracterísticaLipedemaLinfedemaObesidade
Distribuição da gorduraSimétrica, desproporcional (pernas ≫ tronco)Pode ser unilateral ou bilateralGeneralizada e proporcional
Pés e mãosPoupados (sinal do manguito)Acometidos (dorso do pé inchado)Podem estar acometidos
Dor à palpaçãoSim — característica marcanteGeralmente nãoGeralmente não
Hematomas fáceisSim — fragilidade capilarNãoNão
Sinal de StemmerNegativoPositivo (não se consegue pinçar a pele do dorso do pé)Negativo
Resposta à dietaGordura das áreas afetadas não diminui proporcionalmenteNão se aplica diretamenteGordura reduz de forma proporcional
Resposta à elevação do membroNão melhora significativamenteMelhora parcialNão se aplica
InícioPuberdade, gestação ou menopausaQualquer idade (pós-cirúrgico, infeccioso)Qualquer idade
Sexo mais afetadoQuase exclusivamente mulheresAmbos os sexosAmbos os sexos
SimetriaSim — bilateral e simétricaFrequentemente unilateralBilateral e simétrica
Componente hormonalForte — estrogênio-dependenteFracoModerado

Lipedema vs. lipohipertrofia

A lipohipertrofia é considerada por alguns autores como uma forma inicial ou localizada de acúmulo desproporcional de gordura, sem os componentes de dor e fragilidade capilar que definem o lipedema. Trata-se de uma zona cinzenta na classificação que ainda é debatida na literatura (11).


Como é feito o diagnóstico? {#diagnostico}

O diagnóstico do lipedema é essencialmente clínico. Não existe um exame de sangue ou de imagem que, isoladamente, confirme o diagnóstico. O médico experiente utiliza a história clínica detalhada e o exame físico para chegar à conclusão (1, 10, 11).

Critérios diagnósticos principais

  1. Acúmulo bilateral e simétrico de gordura nos membros inferiores (e/ou superiores), desproporcional ao tronco
  2. Pés e mãos poupados — o chamado "sinal do manguito" ou "efeito bracelet" (a gordura para abruptamente no tornozelo ou no punho)
  3. Dor e sensibilidade aumentada à palpação do tecido subcutâneo
  4. Facilidade de hematomas — equimoses desproporcionais ao trauma
  5. Persistência apesar de dieta e exercício — as áreas afetadas não respondem a medidas convencionais de emagrecimento
  6. Sinal de Stemmer negativo — é possível pinçar a pele do dorso do pé normalmente (diferentemente do linfedema)

Exames complementares

Embora o diagnóstico seja clínico, alguns exames podem auxiliar na avaliação e no acompanhamento:

  • Ultrassonografia de partes moles: avalia a espessura do tecido subcutâneo e pode identificar alterações estruturais típicas
  • Linfocintilografia: útil para excluir linfedema primário ou identificar comprometimento linfático secundário nos estágios avançados
  • Bioimpedância e DEXA: auxiliam na avaliação da composição corporal e na quantificação da desproporção de gordura entre segmentos corporais
  • Exames laboratoriais: hemograma, perfil lipídico, função tireoidiana, insulina — para avaliação metabólica global e exclusão de outras causas

O exame clínico na prática

Na consulta, o médico avalia:

  • Desproporção corporal: comparação visual e por medidas entre tronco e membros
  • Teste de pinçamento: a palpação do tecido subcutâneo das áreas afetadas provoca dor desproporcional
  • Sinal do manguito: observação da transição abrupta entre o tecido inchado da perna e o tornozelo/pé normal
  • Pesquisa de nódulos: palpação de nódulos no tecido subcutâneo
  • Avaliação de hematomas: verificação de equimoses em diferentes estágios de cicatrização
  • Sinal de Stemmer: tentativa de pinçar a pele sobre o segundo artelho — resultado negativo no lipedema, positivo no linfedema

Tratamentos atuais para lipedema {#tratamentos}

Não existe, até o momento, uma cura definitiva para o lipedema. Entretanto, existem tratamentos eficazes que controlam os sintomas, reduzem a dor, melhoram a qualidade de vida e podem desacelerar a progressão da doença.

O tratamento ideal é multimodal — ou seja, combina diferentes abordagens simultaneamente (10, 11, 12).

1. Terapia Descongestiva Complexa (TDC)

A TDC é considerada o pilar do tratamento conservador do lipedema, especialmente quando há componente de edema associado. Ela inclui (10, 12):

  • Drenagem linfática manual (DLM): técnica de massagem especializada que estimula o fluxo linfático e reduz o edema. Deve ser realizada por profissionais capacitados
  • Enfaixamento compressivo funcional: bandagens multicamadas que mantêm a redução do edema obtida com a drenagem
  • Exercícios descongestionantes: movimentos específicos realizados com o enfaixamento
  • Cuidados com a pele: hidratação e proteção da integridade cutânea

A TDC é especialmente importante nos estágios mais avançados e quando há lipolinfedema (estágio IV).

2. Terapia compressiva

O uso de meias ou calças de compressão médica (sob medida, com pressão adequada — geralmente 20-30 mmHg ou mais) é uma das medidas mais importantes no manejo diário. A compressão (10, 11):

  • Reduz o edema ortostático
  • Alivia a sensação de peso e dor nas pernas
  • Melhora a microcirculação
  • Desacelera a progressão da doença

Dica prática: A compressão deve ser usada diariamente, especialmente durante atividades prolongadas em pé ou sentada. O ajuste da meia deve ser feito por profissional especializado para garantir conforto e eficácia.

3. Exercício físico

A atividade física é fundamental, embora não reduza a gordura do lipedema da mesma forma que a gordura convencional. Os benefícios incluem (12, 13):

  • Melhora do retorno venoso e linfático
  • Redução do componente inflamatório sistêmico
  • Preservação e ganho de massa muscular (o que melhora o suporte vascular)
  • Controle de peso global (evitando que a obesidade se some ao lipedema)
  • Benefícios para saúde mental — fundamental em uma condição crônica

Exercícios recomendados:

  • Atividades aquáticas (natação, hidroginástica, caminhada na água) — a pressão hidrostática atua como compressão natural e reduz o impacto articular
  • Caminhada com meias de compressão
  • Bicicleta (ergométrica ou convencional)
  • Treino de força com orientação — para fortalecimento muscular
  • Yoga e pilates — flexibilidade e consciência corporal

Evitar: exercícios de alto impacto sem compressão adequada, que podem piorar a dor e a fragilidade capilar.

4. Alimentação anti-inflamatória

Embora a dieta não "cure" o lipedema, uma alimentação com perfil anti-inflamatório pode contribuir significativamente para o controle dos sintomas. Recomendações baseadas em evidências incluem (12, 14):

  • Reduzir alimentos ultraprocessados — que favorecem a inflamação sistêmica
  • Priorizar vegetais, frutas, gorduras boas (azeite, peixes ricos em ômega-3, oleaginosas)
  • Consumo adequado de proteínas — para preservação muscular
  • Moderar o consumo de sódio — para controle do edema
  • Considerar padrões alimentares como a dieta mediterrânea — com evidências de redução de marcadores inflamatórios
  • Evitar dietas muito restritivas — que podem piorar a relação com o corpo sem benefício nas áreas de lipedema

Importante: A dieta no contexto do lipedema tem como objetivo principal controlar a inflamação e prevenir o ganho adicional de peso — e não "secar" a gordura das áreas afetadas, já que esta não responde normalmente à restrição calórica.

5. Tratamento cirúrgico: lipoaspiração especializada

Quando o tratamento conservador não é suficiente para controlar os sintomas, a lipoaspiração especializada é o tratamento que oferece os melhores resultados a longo prazo para redução do volume e da dor (10, 11, 15).

É fundamental destacar que a lipoaspiração para lipedema difere da lipoaspiração estética convencional. As técnicas recomendadas são:

Lipoaspiração tumescente

  • Utiliza grande volume de solução anestésica local infiltrada no tecido (solução tumescente)
  • Permite a remoção do tecido adiposo doente com menor sangramento e menor trauma aos vasos linfáticos
  • Realizada sob anestesia local ou sedação leve

Lipoaspiração WAL (Water-Jet Assisted Liposuction)

  • Utiliza jato de água pulsado para desprender os adipócitos antes da aspiração
  • Particularmente indicada para lipedema por ser mais gentil com os vasos linfáticos e estruturas adjacentes
  • Menor inchaço e recuperação mais rápida em comparação com técnicas tradicionais
  • Amplamente utilizada nos centros especializados europeus

Resultados da cirurgia

Estudos de acompanhamento mostram que a lipoaspiração especializada para lipedema promove (15, 16):

  • Redução significativa da dor — em até 80% dos casos
  • Diminuição da necessidade de terapia conservadora
  • Melhora da mobilidade e da qualidade de vida
  • Resultados mantidos a longo prazo (acompanhamento de até 8-12 anos em algumas séries)
  • Melhora estética com recuperação da proporcionalidade corporal

Nota do Dr. Frederico: A cirurgia não é o primeiro passo, nem é indicada para todas as pacientes. Ela faz parte de um protocolo escalonado: primeiro, otimizamos o tratamento conservador; depois, se necessário, discutimos a abordagem cirúrgica com equipe especializada. O mais importante é que a paciente saiba que existe tratamento — e que ela não precisa aceitar a dor como algo "normal".

6. Suporte psicológico

O impacto emocional do lipedema é profundo e frequentemente subestimado. Mulheres com lipedema apresentam taxas mais elevadas de (5, 17):

  • Depressão e ansiedade
  • Transtornos alimentares (especialmente compulsão alimentar)
  • Baixa autoestima e distorção da imagem corporal
  • Isolamento social

O acompanhamento com psicólogo ou psiquiatra é parte essencial do tratamento. Na Alma Clinic, contamos com o Dr. Lucas Menezes (psiquiatra), que integra o cuidado da saúde mental ao protocolo de tratamento — porque tratar o corpo sem cuidar da mente é um tratamento incompleto.


Lipedema e hormônios: qual a relação? {#hormonios}

Como discutido na fisiopatologia, o lipedema é uma condição estrogênio-sensível. Isso levanta uma pergunta frequente: o tratamento hormonal pode ajudar?

O que sabemos

  • O estrogênio estimula a proliferação de adipócitos e influencia a distribuição de gordura corporal (6, 9)
  • Flutuações hormonais são gatilhos conhecidos para o início e a piora do lipedema
  • A menopausa — com a queda do estrogênio e aumento relativo de androgênios — nem sempre melhora o lipedema; em muitos casos, os sintomas pioram pela redistribuição metabólica e inflamatória

Reposição hormonal e lipedema

A terapia de reposição hormonal (TRH) na menopausa deve ser avaliada caso a caso em pacientes com lipedema. Não há consenso na literatura sobre seu impacto direto no lipedema, mas o equilíbrio hormonal adequado pode contribuir para:

  • Melhor controle da inflamação sistêmica
  • Preservação da massa muscular e da saúde óssea
  • Melhora da qualidade de vida global

Na Alma Clinic, a Dra. Natália Menezes (geriatra, especialista em longevidade) avalia o perfil hormonal completo de cada paciente, integrando o manejo hormonal ao protocolo de tratamento quando indicado — sempre com base em evidências e de forma individualizada.

Importante: Qualquer intervenção hormonal em pacientes com lipedema deve ser realizada por médico especializado, com monitoramento regular e acompanhamento dos sintomas da doença.


O lipedema tem cura? {#lipedema-tem-cura}

Essa é provavelmente a pergunta mais frequente — e a resposta honesta é: o lipedema, como doença crônica, não tem cura definitiva no momento. Mas essa informação precisa vir acompanhada de contexto.

O que é possível com o tratamento adequado:

  • Controlar a dor — muitas pacientes relatam redução significativa ou eliminação da dor com tratamento combinado
  • Reduzir o volume — especialmente com lipoaspiração especializada
  • Desacelerar ou interromper a progressão — com compressão, exercício e acompanhamento
  • Melhorar drasticamente a qualidade de vida — mobilidade, autoestima, relações sociais
  • Prevenir complicações — como o desenvolvimento de lipolinfedema

O mais importante é que você saiba: lipedema não é culpa sua. Não é falta de disciplina. Não é preguiça. É uma condição médica real que merece diagnóstico correto e tratamento especializado.


Perguntas frequentes sobre lipedema (FAQ) {#faq}

Lipedema é a mesma coisa que celulite?

Não. A celulite (lipodistrofia ginoide) é uma alteração estética muito comum que afeta a aparência da pele, mas não causa dor significativa nem desproporção corporal. O lipedema é uma doença do tecido adiposo com componente inflamatório, dor crônica e resistência a medidas de emagrecimento.

Homens podem ter lipedema?

Muito raramente. O lipedema é quase exclusivo do sexo feminino. Os raríssimos casos masculinos descritos na literatura ocorrem em homens com condições que cursam com hiperestrogenismo, como hipogonadismo ou cirrose hepática (1).

Lipedema é hereditário?

Há forte componente genético. Estudos mostram que até 60% das pacientes com lipedema relatam história familiar positiva (mãe, avó, irmã com quadro semelhante). O padrão de herança ainda não está completamente definido, mas parece ser autossômico dominante com expressividade variável (1, 5).

A partir de que idade o lipedema aparece?

O início mais comum é na puberdade, coincidindo com as mudanças hormonais da adolescência. Porém, pode se manifestar ou piorar significativamente durante a gestação ou na menopausa (1).

Que tipo de médico diagnostica lipedema?

Angiologistas, cirurgiões vasculares, dermatologistas e médicos especializados em composição corporal e emagrecimento podem diagnosticar o lipedema. O mais importante é que o profissional conheça a doença e saiba diferenciá-la de outras condições.

O plano de saúde cobre o tratamento de lipedema?

A cobertura varia de acordo com o plano e a operadora. Tratamentos conservadores como drenagem linfática e meias de compressão podem ter cobertura parcial. A lipoaspiração, por ter indicação terapêutica (não apenas estética), pode ser pleiteada junto ao convênio mediante documentação médica adequada. Consulte seu plano e, se necessário, busque orientação jurídica.

Tirzepatida ou semaglutida ajudam no lipedema?

Os agonistas de GLP-1 (como semaglutida e tirzepatida) ajudam no controle de peso global, o que é benéfico para pacientes que apresentam lipedema associado a obesidade. No entanto, a gordura específica do lipedema tende a ser mais resistente mesmo a essas medicações. O uso deve ser avaliado dentro de um protocolo completo, considerando o quadro individual de cada paciente.

Lipoaspiração estética resolve o lipedema?

A lipoaspiração convencional pode até remover gordura, mas técnicas especializadas (tumescente, WAL) são preferidas porque preservam os vasos linfáticos e estruturas importantes, reduzindo o risco de complicações. A escolha da técnica e do cirurgião experiente em lipedema faz toda a diferença no resultado.


Quando procurar ajuda? {#quando-procurar-ajuda}

Procure avaliação médica especializada se você apresenta:

  • Acúmulo de gordura desproporcional nas pernas e/ou braços que não melhora com dieta e exercício
  • Dor nas pernas ao toque, ao apertar ou ao final do dia
  • Hematomas frequentes sem causa aparente
  • Sensação de peso nas pernas, especialmente ao longo do dia
  • Histórico familiar de mulheres com "pernas grossas" que não conseguiam emagrecer
  • Início dos sintomas na puberdade, durante gestação ou na menopausa

Você não precisa continuar convivendo com essa dor sem respostas.


Como a Alma Clinic pode ajudar {#alma-clinic}

Na Alma Clinic, adotamos uma abordagem multidisciplinar e integrada para o cuidado de pacientes com lipedema:

  • Dr. Frederico Menezes (Cardiologista, Especialista em Emagrecimento) — avaliação clínica, diagnóstico, protocolo de composição corporal e acompanhamento metabólico
  • Dra. Natália Menezes (Geriatra, Especialista em Longevidade) — avaliação hormonal completa e manejo da reposição hormonal quando indicada
  • Dr. Lucas Menezes (Psiquiatra) — suporte para saúde mental, tratamento de ansiedade e depressão associadas
  • Dra. Amanda Ribeiro (Estética) — procedimentos complementares para melhora da qualidade da pele e bem-estar

Acreditamos que o lipedema exige o que chamamos de cuidado 360°: corpo, mente e hormônios trabalhando juntos.

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Você não precisa mais sofrer em silêncio. O primeiro passo é ser ouvida — e nós estamos aqui para isso.


Referências bibliográficas {#referencias}

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  2. Buck DW, Herbst KL. Lipedema: A Relatively Common Disease with Extremely Common Misconceptions. Plastic and Reconstructive Surgery – Global Open. 2016;4(9):e1043.

  3. Torre YS, Wadeea R, Rosas V, Herbst KL. Lipedema: friend and foe. Hormone Molecular Biology and Clinical Investigation. 2018;33(1).

  4. Allen EV, Hines EA. Lipedema of the legs: A syndrome characterized by fat legs and orthostatic edema. Proceedings of the Staff Meetings of the Mayo Clinic. 1940;15:184-187.

  5. Fetzer A, Fetzer S. Lipoedema UK Big Survey 2014 Research Report. British Journal of Community Nursing. 2016.

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Este conteúdo tem finalidade informativa e educacional. Não substitui a consulta médica individualizada. Procure sempre um profissional de saúde qualificado para avaliação e tratamento.

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